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Poemas Inéditos de José Cercas

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PREFÁCIO

Vou inesperadamente encontrar a minha cumplicidade com José Cercas num local que me é íntimo e suspeito… Em toda a minha vida o tenho ouvido enquanto o cultor pictórico máxime de Aljezur; o grande pintor que por obra da sua grandeza de espírito deixou todo o espólio ao município. É curiosamente nesse sentido que descubro uma das suas facetas mais extravagantes e controversas, que me siderou positivamente e deixou entrever neste individuo muito mais do que o amante do bom gosto e das estéticas cuidadas; acima de tudo, o poeta de circunstância.

Fala-se de um sujeito na posse de qualidades para se afirmar um artista na sua globalidade, como na época em que viveu o foram tantos outros que por aqui e por além iam cultivando diversas formas de expressão mais ou menos em iguais proporções. Porém José Cercas não! José Cercas renunciou a vocação literária algo após a publicação dos sonetos e desprezou qualquer valor que os seus escritos pudessem ter, mas ainda assim, (e para o bem maior da compreensão da sua personalidade), foi-nos dispersamente escrevendo estes poemas que são, para mim, senão o complemento em falta para uma dignificação justa da sua obra.

E não diria desde logo que existe uma disparidade abismal entre a prática artística a que deu prevalência – a pintura romântica – e a que hoje nos chega às mãos com este cheiro a novidade intensa – a poesia. Todavia será notável a diferença entre a precisão técnica com que se entrega aos cânones da pintura e depois como se liberta de todo o paradigma pela leitura, onde negligencia a pontuação e desvalida muitas vezes o poema de qualquer estrutura formal, que é contraditoriamente uma das suas maiores predilecções – o soneto. Em certo ponto afasta-se das correntes modernistas a que plasticamente se afiliou e converge os movimentos contemporâneos de então, criando aqui neste campo, o campo das probabilidades de Cercas; o espaço do homem genuíno; do homem que se pode bifurcar e fazer quanto queira. É o espaço da máxima libertação e nem é tanto a substância do poema que lhe interessa mas soltar uma ou outra ideia que o atormentam. Que assim surgem muitos destes poemas, muitos deles escritos enquanto Cercas trabalhava na Direcção Geral de Aeronáutica Civil em Lisboa e assim ia passando as largas horas mortas de trabalho, e por isso alguns destes textos representam perfeitamente os vícios do sector do secretariado e da vida na cidade, com especial atenção voltada às suas varinas trigueiras…

E, por fim, também de exaltar é a sua ductilidade poética, a oscilar entre composições duma simplicidade romanesca para outras duma mordacidade feroz, sempre com extremo arrojo linguístico e isso diz-nos mormente um literato imensamente engenhoso. E ai encontra-se José Cercas, o potencial poeta que, por mor do desprezo dado ao enorme talento literário, nos deixou estes preciosos poemas que até agora permaneceram por baixo do pó.

Por meu nobre prazer vejo-os verem agora a luz que há tanto esperavam e mereciam. Não fossem eles o fiel retracto do homem a que as minhas palavras nada mais acrescentam… Somente se deve agradecer uma vez mais por se criar esta ponte deveras frutífera e dela nascerem laços com uma figura tão sublime e irreverente.

Paulo Constâncio1 de Abril de 2014,
por ocasião do Centenário do Nascimento do José Cercas

FICHA TÉCNICA

Título: Poemas  Inéditos de José Cercas
Autor: José Rodrigues (Cercas) 
Organização e Prefácio: Paulo Constâncio
Edição: Câmara Municipal de Aljezur 
No âmbito das Comemoções do Centenário do Nascimento do Pintor José Cercas
Colaboração: Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur / Santa Casa de Misericórdia de Aljezur
Capa: Concepção Gráfica sobre um poema com desenho de José Rodrigues Cercas
Paginação, impressão e Acabamento: Folhas Ilustres, Unipessoal, Lda.
Tiragem: 1000 Exemplares
Edição: 1º Edição - Abril 2014
Dep. Legal: 381893/14 

PVP: 2.84 EUR + IVA 

 

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