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À Descoberta do Seixe

O que têm a dizer alguns poetas de Odeceixe - Vol I

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PREFÁCIO

Como quem vem ao mundo pela primeira vez

Há muitos autores que defendem que a palavra poética é o compêndio de toda a sabedoria emocional, a enciclopédia do sentimento humano, o crivo da consciência, a nata de entendimento e da clarividência. Dirão ainda alguns que as fundações da humanidade no seu estado mais puro se poderão reencontrar nela e que nela converge uma espécie de identidade genealógica que atravessa séculos, milénios, dimensões inteiras. Nessa viagem somos transportados para diante dum braseiro com alguns vultos à volta, onde se transmitem heranças de boca em boca, ecoam-se versículos anteriores à concepção do mundo e, num frenesim cujo tempo físico não possui ampulhetas que constrinjam esta acção, revista-se o Livro dos Povos, penetram-se as Odisseias da intemporabilidade e deparamo-nos com a insaciável sede de evasão, esclarecimento e liberdade. Calcorreiam-se territórios fundados sob as malhas duma apaixonante entrega, assentes sobre o cancioneiro que parece confidenciar coisas, coisas que aludem a uma íntima pertença, contudo impossíveis de cingir totalmente a um espaço e tempo concretos. Após tomar o corpo que lhe cabe, o núcleo da actividade poética remete a um celebração incorruptível, ainda que se esteja a destilar memórias, circunstâncias e acasos formidáveis que parecem vividos ontem. Dito isto, é como quem se afunda no estágio embrionário do sonho, numa incrível ausência de fronteiras e hierarquias. Parecemos empanturrados dum néctar de deleites primitivos como liberdade sem freio, amor incondicional, fraternidade, comiseração e substâncias capazes de cristalizar o discernimento dos homens ao ponto de degladearem-se os pesadelos mais cavernosos do imaginário com o vigor de quem regateou os últimos raios de sol. Ponto de vista este que, até à data, é ainda dos poucos aptos a estimular resistência face à opressão sistémica secretamente instalada na sociedade, sendo também um poderoso instrumento que dá voz a quem nunca teve um pio ou, ainda no mais usual dos casos, elemento a extravasar a beleza naquilo que é entendido por beleza propriamente dita. Poderíamos prolongar o último raciocínio de diversas formas, mas limitemos a nossa discussão a um só objecto, de maneira a que esta mensagem chegue irrepreensível ao receptor e a folha que se aproxima do final nos permita espremer um pouco mais o fruto em causa - por outras palavras, o livro de poemas que o eleitor carrega nas mãos e do qual está ansioso para pular este arranjo de flores sintécticas e cerimoniais, quase académicas, entrando porta adentro no que de facto interessa - overdose de subtileza e sublimidade, poesia a rasgar as cordas da harpa e vozearia de quem cede sensualmente ante as insanas incumbências da exaltação. Pois é com esta espécie de abertura  solene que entraremos pelo coração, (dir-se-á escancarado), de três poetas que a um única luz se agruparam de modo a perscrutar que sinais comuns entre si  capturavam. E parece-me até que assim já foi feita e se tem sabido muito da história. Não falo dessa que já foi, mas da outra, que se encontra encaixotada em armazéns, mundanamente encoberta, que nos fala de gerações remotas, de comunidades silenciosamente escravizadas, de impérios sem dono e homens anónimos que nunca conheceram um rosto real e verdadeiro e que, de quando em quando, nos alertam do quando são necessários três ou quatro sujeitos isolados e livres que se juntem para aferir  por que húmus se traduz a força em cada indivíduo, de cada animal. A meu ver, o leitor embeberá aqui  toda a força inimaginável e, às vezes, o seu contrário também. Duma forma geral, a vida e as suas paisagens aparecem-nos reflectidas a partir do seu filtro mais lento e disponível ao próprio acto de viver  - Isto é, com toda a euforia e adversidades imanentes. Isso, um cálice de medronho, duas batata-doce cozidas, um fio de azeite por cima e algumas larachas de boas que, para além de virem dar razão ao tal que defende que a poesia deve ser feita por todos, era deveras o mote em falta para congeminar esta confluência improvável, provocada pelo entrelaçamento entre três conterrâneos à partida antagónicos. Em suma  e dando seguimento ao que o leitor espera andamento, um daqueles pensamentos absolutos que nos deixam a estremecer de cima a baixo, contido num verso que encontrará a meio do livro em início de folheamento e prestes a roubar-me as palavras, visto corroborar tudo aquilo que vim a dizer neste formalismo inaugural, que chega ao fim agradecendo com um abraço cósmico a todos aqueles que tornaram e tornam possível a concretização deste tipo de documentos históricos e intemporais:

 

"Percursos diversos, trambolhões (1)
Com escassas horas de alegrias
Quantos Aleixos e quantos Camões
Não nos cruzamos todos os dias"


Paulo Constâncio


(1) Quadra do poema Eu queria ter de João Furtado Baptista, presente neste volume

 

FICHA TÉCNICA

Título:
À Descoberta do Seixe 
O que têm a dizer alguns poetas de Odeceixe - Vol I

1ª Edição:
Poetas de Odeceixe

Direitos de Autor:
Os autores e Arandis Editora

Capa e Paginação: 
Fernando Lobo

Desenhos de:
Almerindo Oliveira

Impressão:
Gráfica Comercial, Loulé

Depósito Legal:
408953/16


PVP: 5.50 EUR + IVA

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